28 outubro 2008

Quinta Fernão Leite em 1940/45

A Quinta de Fernão Leite fez parte de um conjunto de casas agrícolas que existiram durante mais de três quartos do século vinte e pelas quais se desenvolveu grande parte da agricultura então existente no Pombalinho. Teve como proprietários conhecidos, o padre José Maria do Rosário e os irmãos António e José Menezes, ficando este com a sua apropriação depois de uma separação de propriedades que geriam familiarmente em finais dos anos 1940/45.

As fotografias que temos o prazer de publicar, referem-se a trabalhos na eira da Quinta de Fernão Leite e foram registadas por António de Menezes entre os anos de 1940/45. Elas encontram-se emolduradas em casa de seu filho António Carlos Barreiros Nunes de Menezes, que por sua amabilidade, foi-nos possível reproduzi-las em suporte digital por intermédio do nosso amigo Joaquim Mateiro e assim incluí-las na galeria histórica do “Pombalinho”.


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O trigo a ser carregado ainda no campo, para posteriormente ser transportado em carros puxados por juntas de bois para a eira.


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Chegada à eira, a carrada dos molhos de trigo seriam descarregados. O boieiro que está na foto, pensa-se ser um senhor que trabalhou para a família Menezes durante muitos anos na condução de carros de bois. O seu nome é Pedro e era pai da nossa conterrânea Domicília, esposa de Manuel Gregório. Mais à direita, uma autêntica inovação da técnica para a època, uma debulhadeira mecanizada! E a desempenhar a função de "alimentador" (pessoa encarregue de alimentar o normal funcionamento da máquina com braçadas de trigo) está o nosso bem conhecido José Afonso, que durante vários anos pelas eiras andou, a trabalhar na debulha do trigo ao serviço da família Menezes.


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Esta imagem consiste na debulha prévia das favas. Os caules da leguminosa eram espalhados na eira e depois parelhas de éguas devidamente comandadas por homens experientes, em movimentos circulares, iriam por esmagamento, soltar a fava da vagem.



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O conjunto da máquina a vapor que fazia comandar a debulhadeira. Para esta tarefa mecanizada exigia-se também alguma experiência e muita rotina. Homens que tinham por missão normalizar a entrada o cereal na máquina, outros transportando em carros de mão fabricados ainda em madeira, o trigo já debulhado e outros que não se vêm na foto mas que tinham a responsabilidade de alimentar o depósito de àgua da respectiva máquina a vapor, eram presenças muito importantes neste trabalho de debulha por volta dos anos de 1940/45.


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Aqui, com a ajuda de uma junta de bois a puxar por um objecto de madeira chamado rodo, procedia-se ao ajuntamento dos restos da palha dos cereais misturados com alguns grãos, desperdiçados pela acção da debulhadeira, para uma posterior limpeza e aproveitamento final .


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E aqui está essa acção de limpeza de que atrás falamos. Homens lançando ao ar e contra a direcção do vento, os cereais misturados com a palha. Com vento a favor , este leva a palha e demais impurezas, deixando os grãos do cereal libertos e limpos.


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Nesta foto procede-se à medição com um alqueire, do feijão branco que se vai metendo dentro de sacos de linhagem. Reconhecem-se de entre outros, o José Cordoeiro, Joaquim Machourro e Pedro, o boieiro.


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Finalmente, tinha chegado a hora do carregamento dos cereais já devidamente ensacados e medidos para cima de um carro puxado por mulas. Nesta imagem, a receber enormes sacos transportados às costas, está o José Cordoeiro.

Colaboração nos textos de Joaquim Mateiro 

 

2 comentários:

Guilherme Afonso disse...

Grande reportagem, Manuel Gomes. Merecia um prémio, extensivo a todos os que contribuiram para que tão notável trabalho fosse possível.
Em 1941 andei eu nessa eira a cortar o arame para os fardos da palha do trigo, feitos numa enfardadeira que estava no alinhamento da debulhadora e para onde a palha era encaminhada logo que saía da debulhadora.

MGomes disse...

Bons tempos, não é verdade caro amigo Guilherme? Não, pelas dificuldades sociais então existentes, que eram enormes, mas sim pelos tempos recuados de uma juventude em que o mundo nos parecia bem mais ao nosso alcance!

Um Abraço!